Trabalho a metro "metrowork"
Descrição
Sou formadora na Área da costura e acabo de realizar uma acção de formação na zona do Intendente/ Anjos, desta desta interacção resultou um contacto muito próximo com os grupos étnicos que que são, muitos deles de primeira geração de emigrantes e ainda estão numa fase de integração e aprendizagem da língua, o que resulta numa maior dificuldade na entrada no mundo do trabalho.
Na sequência de várias conversas e reuniões surgiu a ideia do "trabalho a metro", ou "metrowork" nomes provisórios, mas de descreve resumidamente a ideia.
o Projecto é uma oficina ( inicialmente de costura e depois alargar a outras áreas de artesanato e trabalhos tradicionais como madeira ou ferro ou vidro) onde os potenciais interessados pudessem de uma maneira simplificada, trabalhar ( e ganhar algum dinheiro) dentro das suas habilidades e de preferência junto dos seus pares. A ideia começou a tomar mais sentido quando em conversa com as minhas formandas da comunidade muçulmana do bangladesh me foi transmitido que principalmente as mulheres tem uma imensa dificuldade em conseguir trabalho devido ás muitas restrições que tem e dificuldade na língua, mas que muitas delas queriam trabalhar ( e tinham alguns conhecimentos de costura), mas não conseguem cumprir os horários, ou deslocar-se para longe da zona onde habitam.Então, começamos a moldar um projecto ( que já existe em moldes de formação e workshop que é a "AcademiA Sec XXI", formação prática. Assim já temos uma reunião marcada com a comunidade e temos reunidas pelo menos 6 pessoas interessadas em participar neste projecto, que vai começar na área da costura ( e trabalhos manuais) mas que posteriormente poderá ser alargado a outras áreas de interesse.
Para já, vai ser criado de modo a promover o trabalho feminino, não por ser exclusivo só para mulheres, mas apenas porque ainda existe um grande fosse de oportunidades e saídas profissionais entre os géneros, principalmente nestas comunidade.
Na prática vamos criar grupos de trabalho compostos por mulheres que falem a mesma língua e que tenham conhecimentos profissionais que sejam equivalentes ou que se completem e assim possam desempenhar todas as tarefas necessárias para realizar trabalhos que sejam propostos. Isto permite que se rentabilize o trabalho produzindo pequenas quantidade de encomendas, que as pessoas possam cooperar num ambiente relativamente protegido em termos de higiene e salubridade do local de trabalho, em termos de garantia de pagamentos e fiscalidade, em termos da própria protecção física e psicologia ( respeitando as suas tradições e restrições) em termos de horários de trabalho que poderia ser flexível de acordo com as restrições das suas tarefas domesticas. Privilegiando a sua integração na comunidade e na própria sociedade civil e principalmente garantindo uma dignidade ( fazer trabalho e ser pago justamente pelo trabalho realizado) e uma formação continua e melhoramento das capacidade já adquiridas.
A minha tarefa neste processo será a de ser a responsável pelos processos de produção assim como da formação continua e da garantia do cumprimento dos requisitos de qualidade dos produtos que serão vendáveis pela sua qualidade e cumprimento dos cadernos de encargos assinados com os clientes e não pelo projecto. O nosso pais já está muito saturado de objectos e ideias que se vendem só para ajudar e precisa de projectos que se ajudem a si mesmo e não vivam da caridade, porque um dia acaba a caridade e o projecto morre!
Para a execução deste projecto, necessito de um espaço dentro da zona referida anteriormente e que esteja o mais perto possível da comunidade, tendo começado já a fazer os contactos que me parece mais adequados, temos já marcada para a próxima semana uma reunião com o Fablab e com o centro de inovação da Mouraria, sendo que estas reuniões estão a ser agendadas através do GABIP ( Intendente, Irmãs Oblatas, assim como outros parceiros da zona).
Depois de termos um local onde se possa criar a oficina, necessitamos de equipamento adequado à realização dos diversos trabalhos e concretização das encomendas. já está em execução um pedido de orçamentos para equipamentos Industriais e semi industriais de modo a garantir a qualidade do trabalho, sendo que não está excluída a hipótese de utilização de equipamento domestico como arranque do projecto. A opção da escolha ou aquisição do equipamentos vais variar com os financiamentos que conseguirmos angariar e vais também limitar-nos a resposta aos nossos clientes.
No âmbito das propostas concretas de trabalhos, já demos inicio aos primeiros passos, ainda com os equipamentos da formação ( gentilmente cedidos pela empresa Inovinter que nos cedeu o espaço e os equipamentos) para a realização da primeira encomenda. Foi produzida uma remessa de 150 sacos de especiarias ( talegos tradicionais feitos em panos étnico e com etiquetas do produto bordado à mão que teve como destino a festa de Natal da Portugália ( Lisboa) . Junto anexo fotos .
Está ainda em fase de produção um conjunto de almofadas que tem como destino a participação no "Next Stop Lx" em que estão a ser desenhadas e bordadas à maquina e à mão as almofadas que vão ser um dos elementos de exposição.
Para além destes projectos pontuais já temos em andamento contactos com potenciais clientes para trabalho a feitio, sendo que nesta fase ainda sem o espaço nem os equipamentos é muito precoce fazer contratos de prestação de trabalho, ficando as negociações só na fase de interesse mutuo e posterior contacto. Um dos contactos que garantidamente irá resultar em contrato de trabalho resultou de uma recente interacção durante o Forum Refugi onde conheci o artista Adam lambar, promotor do projecto Education For Every Child Now, que tem como um dos objectivos produzir uniformes escolares para zonas carenciadas em países subdesenvolvidos, sendo que a seguir ao design dos uniformes iremos ser nós ( grupo informal do projecto) a fazer alguns protótipos e contamos, entretanto, conseguir reunir as condições necessárias para se começar a produzir os referidos uniformes, sendo que este tipo de peças requer os referidos anteriormente, equipamentos industriais.
O projecto parece estar ainda em fase incipiente porque ainda não tivemos tempo nem dados concretos para criar o dossier com dados os dados, mas na realidade já implementamos na prática a ideia de base do "Metrowork" ou "trabalho a metro" numa alteração da expressão de trabalho à medida, à medida das capacidade que quem produz e à medida das necessidades que quem contrata, sendo que no meio vai existir uma equipa técnica e formativa para fazer a ponte que vai tornar possível a funcionalidade do projecto e sustentabilidade do mesmo assim como das equipas de trabalho. A ideia deste projecto, não é que as pessoas que aqui iram trabalhar tenham um emprego para o resto da vida, mas sim uma ajuda descomplicada para o reinicio da sua vida profissional e que depois possam, pelos seus próprios meios, criar os seus postos de trabalho e progredirem profissionalmente com produção própria ou trabalhando em parcerias, mas ganhando gradualmente uma autonomia que lhes permita não dependerem de ajudas estatais para a sua sobrevivência no nosso pais, garantindo um trabalho justo adequado e digno, assim como uma melhor qualidade de vida, tanto financeira como psicológica, conseguindo a sua integração na sociedade de modo responsável e produtivo.
Local
Preferencialmente na zona do Intendente e Martim Moniz